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1971
 
  Mais ou menos no início de 1971, Gal Costa lançava um compacto duplo com quatro canções: Sua Estupidez, Você Não Entende Nada, Zoilógico e Vapor Barato. A primeira música alcançaria enorme execução radiofônica. Aliás, cantar Roberto Carlos e Erasmo Carlos pegava bem para todos: Elis gravara As Curvas da Estrada de Santos, a voz de Claudette Soares estava onipresente com o sucesso de De Tanto Amor e até Maria Bethânia registraria, neste mesmo ano, no disco A Tua Presença, sua versão de Jesus Cristo.

Em maio, Gal desembarca em São Paulo para uma temporada do Deixa Sangrar no teatro Veredas, em uma pequena transversal da avenida São João. Produzido por Paulo Lima (seu empresário durante o tempo em que Guilherme Araújo esteve em Londres), o show permanece três meses em cartaz.

Ainda nesse ano, Paul McCartney lançou o disco Ram, Carole King massacrava com It´s Too Late, os Rolling Stones saíam com Sticky Fingers (na famosa capa do zíper, de Andy Warhol), a CBS lançava Pearl, disco póstumo de Janis Joplin, enquanto Meddley era o título novo do Pink Floyd. No Festival de Gramado, vencia o filme Pra Quem Fica, Tchau, de Roberto Farias, na Ásia começava o conflito de Bangladesh, Stanley Kubrick estreava Laranja Mecânica, Charles Mason era condenado à morte pelo assassinato da atriz Sharon Tate e Nara Leão lançava o primeiro álbum duplo do Brasil, Dez Anos Depois, com clássicos da bossa nova. Estreava em São Paulo o musical Hoje é Dia de Rock e, em Nova York, Jesus Christ Superstar.

Multiplicava-se no Brasil a cena underground, produzindo grupos de rock com nomes curiosos como Urubu Roxo, Estômago Azul, Módulo 1000 ou O Peso. Publicavam-se tablóides alternativos como Presença, Flor do Mal, Verbo Encantado e a revista Bondinho. O semanário O Pasquim lançava um compacto com Tom Jobim cantando Águas de Março. O Trio Ternura vencia o FIC com a valsa Kyrie, morria Louis Armstrong, começavam as obras do emissário de Ipanema, a praia baiana de Arembepe se transformava em refúgio freak e na zona sul do Rio eram abertas as lojas Hippie Center e Biba. Gal fazia um editorial de moda para a fotógrafa Mariza Alves Lima, sendo citada como exemplo de elegância moderna.

Caetano Veloso, no meio do ano, desembarca no Brasil para participar, com Gal Costa, de um especial com João Gilberto na TV Tupi. Com expressão tensa e tendo que se apresentar à Polícia Federal, ele também faria uma apresentação no programa Som Livre Exportação, apresentado semanalmente por Elis Regina e Ivan Lins.

No final de novembro, a temperatura esquenta pra valer: Gal convida o poeta Waly Salomão para dirigi-la no show que a levaria ao posto de musa do desbunde tropical: Gal A Todo Vapor, montado no teatro Tereza Rachel, Rio de Janeiro. O espetáculo, aclamado por hordas de cabeludos, assinala o ápice da efervescência contra-cultural no país. A Philips não dormia de touca (termo usado na época para definir alguém atento aos lances) e grava o show, lançado em álbum-duplo antes do Natal.

A capa, de Luciano Figueiredo e Oscar Ramos, exibia no lado interno Gal entre amigos: Baby Consuelo, Paulinho Boca de Cantor, Moraes Moreira, José Simão, Pepeu Gomes, Waly e Jorge Salomão, prontos para dar um rolê, ver violeto e comer uma fruta gogóia. 1972 terminava, apesar do regime militar, em alto astral. E todos até podiam cantar a sonhadora Imagine, então recém-lançada por John Lennon.

Eduardo Logullo
 
 

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